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Sócios Honorários


Esta página é dedicada a prestigiar e reconhecer o trabalho dos distintos mestres da nossa parasitologia.

• Erney Camargo
Frederico Adolfo Simões Barbosa
• Habib Fraiha Neto
Hakaru Ueno
• Helio Martins de Araújo Costa
• Ítalo Sherlock
• João Carlos Pinto Dias
• Luis Rey
Luiz Fernando Ferreira
• Luiz Hildebrando Pereira da Silva
• Wladimir Lobato Paraense


Luiz Fernando Rocha Ferreira da Silva

Luiz FerreiraLuiz Fernando Rocha Ferreira da Silva nasceu na cidade do Rio de Janeiro, a 23 de setembro de 1936, filho de Oscar Ferreira da Silva Jr. e Izolette Rocha Ferreira da Silva. Fez seus estudos secundários no Colégio Santo Antônio Maria Zaccaria, dos padres Barnabitas. Desde cedo sofreu forte influência do pai médico, do tio Eduardo Marques Tinoco e de Eduardo Marques Cruz.

O livro que mais lhe chamou atenção na juventude foi “Caçadores de micróbios” de Paul de Kruif, que juntamente com as histórias que Dr. Marques lhe contava, de Oswaldo Cruz e de Manguinhos, definiram sua vida profissional antes mesmo de entrar para a Faculdade.

Em 1955, foi aprovado no exame vestibular e iniciou o curso médico, na então Faculdade Nacional de Medicina da Universidade do Brasil. Fez estágios: no Instituto de Biofísica, com Luiz Renato Caldas e Cezar Antonio Elias; na Cadeira de Bioquímica, então sob a orientação do professor Paulo Lacaz; na Cadeira de Parasitologia da Faculdade Fluminense de Medicina, com Gilberto de Freitas; na 3a Cadeira de Clínica Médica, Serviço do Professor Luis Feijó, onde, sob a orientação de Helion Póvoa Filho, publicou, em 1958, seu primeiro trabalho científico: “Alterações do perfil eletroforético na Esquistossomose mansoni”, na revista “Vida Médica”.

Em 1958, ingressou como monitor oficial da Cadeira de Clínica das Doenças Infecciosas e Parasitárias. Começou então suas atividades didáticas, preparação de trabalhos científicos e participação em congressos. Em 1960, ao formar-se em medicina, foi convidado pelo professor José Rodrigues da Silva para continuar no serviço onde organizou o laboratório de Parasitologia.

Nessa época foi aluno do “Curso de Protozoologia” realizado no então Centro de Pesquisa de Belo Horizonte, do Instituto Nacional de Endemias Rurais, atualmente Instituto René Rachou, pertencente à Fundação Oswaldo Cruz, sob a orientação do professor Wladimir Lobato Paraense, e do “Curso de Entomologia” do Instituto Oswaldo Cruz, com os professores Herman Lent e Hugo Souza Lopes.

Em 1962, defendeu sua tese de doutorado na Faculdade de Medicina, intitulada: “Isosporose Humana Experimental”, recebendo grau 10 e laureado com o prêmio Gunning, (para teses de Biologia Aplicada) por banca composta pelos professores: José Rodrigues da Silva (orientador). Luiz Feijó, Edgar Magalhães Gomes, Paulo de Góes e Olimpio da Fonseca.

Em 1966, a convite de Edmar Terra Blois, passou a ocupar o cargo de Professor Titular de Parasitologia da Escola Nacional de Saúde Pública, criando o Departamento de Ciências Biológicas.

Em 1976, em colaboração com Gilberto de Freitas e Hermann Schatzmayer, criou a pós-graduação “sensu stricto” em Manguinhos, com os cursos de Mestrado em Parasitologia e em Virologia, hoje reunidos no curso de Mestrado em Biologia Parasitária.

Na Fundação Oswaldo Cruz foi chefe do Departamento de Ciências Biológicas, Vice-Diretor e Diretor da Escola Nacional de Saúde Pública, chefe do Departamento de Helmintologia do Instituto Oswaldo Cruz, Vice-Presidente da Fundação Oswaldo Cruz e, por fim, Presidente da Fundação Oswaldo Cruz.

Sempre dedicado ao ensino, foi o mentor da criação da “Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio” encarregada do preparo de pessoal de nível médio para saúde pública e para ciência e tecnologia na área biomédica. Sua vasta cultura e carinho pela história da instituição, levaram-no a criar a “Casa de Oswaldo Cruz”, que tem por finalidade o desenvolvimento de estudos sobre história da medicina e da ciência no Brasil, e a preservação da memória médica.

Foi Professor Titular de Parasitologia da Escola de Ciências Médicas de Volta Redonda e da Escola Médica da Universidade Gama Filho. Em 1978, criou uma nova ciência, a Paleoparasitologia, para estudar parasitos encontrados em material arqueológico ou paleontológico. Este nome foi aceito e usado por diversos autores e bases de dados científicas. A paleoparasitologia difundiu-se e hoje há grupos de pesquisa dedicados a ela em diversos países.

Luiz Fernando participou da fundação da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, da Sociedade Brasileira de Parasitologia e da Sociedade Brasileira de Paleopatologia, tendo ocupado os cargos de Secretário e Vice-Presidente da primeira, e de Presidente das duas outras.

Em 1993, foi eleito Membro-Titular da Academia Brasileira de Medicina Militar, em 2003 foi eleito Membro Titular da Academia de Medicina do Rio de Janeiro e, em 2005, tornou-se Membro Honorário da Academia Nacional de Medicina.

Em 2004, ao aposentar-se, foi-lhe outorgado o título de Pesquisador Emérito pelo Conselho Deliberativo da FIOCRUZ.

Publicou 131 trabalhos em revistas científicas, nacionais e estrangeiras, participou de 89 Congressos, e continua a orientar alunos de mestrado, doutorado e de iniciação científica. Escreveu livros, poemas, discursos. Agora está envolvido em concluir um romance policial e editar um livro científico sobre Paleoparasitologia.

Luiz Fernando, ainda que aposentado, faz questão de, diariamente, chegar à Fiocruz pela manhã, tomar seu café e dar início aos trabalhos no Laboratório de Paleoparasitologia, do Departamento de Ciências Biológicas, o mesmo que ele criou quando ingressou na Escola Nacional de Saúde Pública.


Tudo o que Luiz Fernando fez na vida foi por gosto, por paixão, como ele próprio diz. Sempre finaliza seus discursos memoráveis com a frase do velho Câncio, gaúcho rude de fronteira, no seu linguajar truncado, “Peleo, porque me gusta pelear”.


Autor do Texto: Prof. Dr. Adauto José Gonçalves de Araújo
Instituição: Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro
Unidade: Escola Nacional de Saúde Pública