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Sócios Honorários


Esta página é dedicada a prestigiar e reconhecer o trabalho dos distintos mestres da nossa parasitologia.

• Erney Camargo
Frederico Adolfo Simões Barbosa
• Habib Fraiha Neto
Hakaru Ueno
• Helio Martins de Araújo Costa
• Ítalo Sherlock
• João Carlos Pinto Dias
• Luis Rey
Luiz Fernando Ferreira
• Luiz Hildebrando Pereira da Silva
• Wladimir Lobato Paraense


Frederico Adolfo Simões Barbosa (27/7/1916 - 8/3/2004)

Fred
Fred, como era carinhosamente conhecido, era pernambucano da capital e tornou-se legítimo representante de uma geração de profissionais que construíram sua carreira, movidos pela curiosidade científica aliada à capacidade de aliar conhecimento básico com sua aplicação prática.

Filho e neto de médicos, teve que trocar sua vocação para Biologia pelos estudos clínicos, por exigência paterna. Como outros de sua geração, após formar-se em medicina, em 1938, cursou História Natural, colando grau em 1952.

Em 1938, antes mesmo de graduar-se, partiu para São Paulo, por razões políticas que envolveram seu pai nos tempos da outra ditadura, a de Vargas. Voltou a Recife, por 14 horas, para realizar os últimos exames e colar grau. No ano seguinte recebeu bolsa de Assis Chateubriand e pode permanecer em São Paulo trabalhando em parasitologia com Samuel Pessoa e em micologia com Floriano de Almeida.

Doutorou-se em Recife, em 1942 e, nos vinte anos seguintes, defendeu a Livre Docência sucessivamente em Parasitologia, Microbiologia e em Medicina Preventiva.

Seu périplo no exterior iniciou-se em 1945, graças a uma bolsa do Institute of Interamerican Affairs que lhe permitiu obter o Master in Public Health, em Johns Hopkins. Aproveitou a estada nos Estados Unidos para estagiar e cursar Limnologia e Entomologia na Michigan University.

Como fizera Adolfo Lutz, Frederico transitou pela Taxonomia Zoológica, mais por necessidade do que por interesse. Primeiro diretor do Instituto Ageu Magalhães, criado em 1950 para investigar endemias rurais, hoje integrado a FIOCRUZ, dedicou-se ao estudo da biologia da esquistossomose, trazendo para epidemiologia a visão ampla e os conceitos fundamentais da Ecologia.

Em 1973, realizou um trabalho pioneiro sobre competição interespecífica em moluscos, demonstrando a substituição de espécies em focos de esquistossomose mansoni por competição entre hospedeiros.

Professor nato, foi Titular da Universidade Federal de Pernambuco, da Universidade de Brasília e da Escola Nacional de Saúde Pública.

Em 1969, insatisfeito com os rumos da situação política nacional aceitou convite da Organização Mundial de Saúde e permaneceu durante dois anos como responsável pelo programa de esquistossomose.

Prolífico em publicações, produziu 220 artigos, vários capítulos e três livros.

Frederico deixou amigos, discípulos, orientados de teses e estudantes entusiasmados por onde passou. Como administrador, nunca subordinou seus objetivos e ideais a cerceamentos burocráticos. E seu percurso ilustra certos aspectos que marcam a carreira de tantos pesquisadores. O primeiro, -mas não necessariamente nesta ordem – a persistência que o levou, já médico e pesquisador, a voltar a universidade com o fim de satisfazer sua vocação latente para a Biologia. Em segundo, a importância dos pequenos cursos extracurriculares ministrados por pessoas altamente motivadas e capazes de despertar vocações, como foi o exemplo de Samuel Barnes Pessoa.

Em 1936, ainda acadêmico, Frederico freqüentou um curso avulso que Samuel ministrou em Recife e isso foi o início de uma associação longa e profícua. Em terceiro, a curiosidade que constitui o móvel da transdisciplinaridade e que leva a processos de descoberta e de invenção através da transposição de idéias e teorias de um campo do conhecimento para outro. Em seguida, a oportunidade de estagiar ou trabalhar em grandes centros, onde se adquire, muitas vezes, mais segurança e confiança no que se faz do que conhecimentos novos.


Fernando Dias de Ávila Pires
Baseado em entrevista publicada em Cadernos de Saúde Pública, 13(1), 1997.
Publicação: Volume de Resumos - Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical
Vol. 38: suplemento I, 2005 XLI Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical e I Encontro de Medicina Tropical do CONE SUL – Florianópolis/SC