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Apresentação

A Sociedade Brasileira de Parasitologia (SBP) foi fundada em julho de 1965. Juridicamente registrada como "Sociedade Brasileira Técnico-Científica de Parasitologia SBP",  uma sociedade civil, sem fins lucrativos, que congrega parasitologistas do Brasil e de outros países. Filiada junto a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a Federação Latino-Americana de Parasitologia (FLAP) e a Federação Mundial de Parasitologia (WFP).

Reconhecida como sendo de utilidade pública, esta sociedade visa estimular a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico nas áreas de Parasitologia Médica, Veterinária e Agrícola.

Além de promover eventos científicos, a SBP realiza bianualmente o importante Congresso Brasileiro de Parasitologia. Através da troca de experiências e o intercâmbio de descobertas e avanços científicos a SBP, também, tem contribuído para o surgimento de alternativas de prevenção e controle no setor de vigilância epidemiologica do nosso país.

 

HISTÓRICO

Parece que não existe qualquer história escrita sobre a Sociedade Brasileira de Parasitologia (SBP). Por suas realizações, importância adquirida e em reconhecimento aos muitos parasitólogos que tanto contribuíram para a construção da entidade, desejamos que este texto introdutório estimule outras contribuições no sentido de manter viva a memória desta Sociedade. A dificuldade desta empreitada é maior em razão de um incidente ocorrido com um dos nossos ex-presidentes. Em 1995, seu carro foi roubado e no porta-malas estavam todas as atas e documentos da SBP. Parte da documentação sobre a SBP existente em diferentes fontes foi recolhida pelo ex-presidente Edward Felix da Silva (1998-1999), o que foi muito útil na produção deste texto.


CRIAÇÃO

A SBP foi fundada em 8 de julho de 1965, na cidade de Belo Horizonte (MG), segundo a Certidão de Registro nº 7820, fl. 220 do livro A9 em 16/8/1967 – Cartório Jero Oliva de Pessoas Jurídicas em Belo Horizonte.

São objetivos da SBP: a) estimular as pesquisas; b) fomentar o intercâmbio de conhecimentos entre os pesquisadores nacionais e estrangeiros; c) promover reuniões ou congressos nacionais ou regionais; d) manter intercâmbio cultural com instituições congêneres; e) sugerir aos órgãos públicos ou particulares, especificamente incumbidos de combate a doenças parasitárias, as medidas técnicoadministrativas que lhe pareçam indicadas; f) divulgar conhecimentos científicos relativos à especialidade.

Na década de 1960, havia duas grandes escolas de Parasitologia no Brasil: uma capitaneada pelo Professor Samuel Barnsley Pessoa, em São Paulo, e outra pelo Professor Amilcar Vianna Martins em Belo Horizonte. Em vários outros estados especialistas na área da parasitologia também deram a sua colaboração e esta história também ainda precisa ser contada.

Embora não se conheça o nome de todos os membros fundadores da SBP, alguns de Minas Gerais podem ser citados, tais como: Amilcar Vianna Martins, José Pellegrino, Zigman Brener, Moacir de Freitas, Hélio Martins, Edward Felix Silva, Marcello V. Coelho e Geraldo Chaia, entre outros.

Após a constituição da SBP, o prof. Amilcar Vianna Martins foi escolhido como seu primeiro presidente para o biênio 1967-1968. Não conseguimos encontrar nenhum relato sobre as atividades da SBP nesse período. Deve-se lembrar que o golpe de Estado realizado em 31 de março de 1964, liderado pelos militares das três forças (Exército, Marinha e Aeronáutica) com o apoio de um grande número de políticos, empresários e da classe média brasileira, de tendência conservadora, deixou o país em condição de pouca representatividade e manifestação da sociedade civil organizada. O sistema implantado, que incluía intensa perseguição a políticos e profissionais, seguramente foi responsável pela falta de realizações da SBP naquele período.

Os professores e pesquisadores que na época eram considerados “de esquerda” sofreram com prisões e inquéritos policiais intensificados a partir de 1969 com o Ato Institucional nº 5, quando então passou a reinar verdadeiro clima de terror nos meios universitários. Muitos professores foram vítimas de cassação dos direitos civis, aposentadoria compulsória, perda de emprego ou mesmo foram obrigados se esconder ou viajar para o exterior para não serem presos. Os dois professores já citados, Pessoa e Martins, foram presos, interrogados, cassados e aposentados compulsoriamente de suas universidades.

Muitos dos pesquisadores que trabalhavam com o prof. Pessoa também tiveram de abandonar a Universidade de São Paulo para não serem presos, todos eles parasitologistas competentes que arranjaram colocações no exterior: o casal Victor e Ruth Nussenzweig (nos EUA), Hildebrando Pereira da Silva (na França), Luis Rey (no México), Erney Camargo e Michel Rabinovich, entre outros.


RECRIAÇÃO

A SBP ficou sem nenhuma atividade até 1974, quando sob a liderança de Rubens Campos, parasitologista de São Paulo, foi recriada (Registro no Cartório do 1º Registro de Títulos e Documentos sob o nº 48.721, São Paulo). Campos foi eleito para o biênio 1975-1976 e posteriormente reeleito (1977-1978). A lista dos presidentes da SBP de 1967 a 2009 pode ser vista no Quadro I. A SBP iniciou o ano com 200 sócios e já no ano seguinte (1976) passou a ter 400.


ATIVIDADES

Os congressos iniciaram-se em 1976, sendo o Iº Congresso da Sociedade Brasileira de Parasitologia realizado em conjunto com o XII da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical em Belém do Pará, de 15 a 19 de fevereiro, sob a presidência de Habib Fraiha Neto (ver a lista dos congressos realizados no Quadro II).


Quadro I. Relação dos Presidentes da Sociedade Brasileira de Parasitologia (1967 a 2009)

• 1967 a 1968 - Amilcar Vianna Martins/MG (falecido)

• 1975 a 1976 - Rubens Campos/SP (falecido)

• 1977 a 1978 - Rubens Campos/SP (falecido)

• 1979 a 1980 - Luiz Fernando Ferreira/RJ

• 1981 a 1983 - Luiz Fernando Ferreira/RJ

• 1984 a 1985 - Marcello Vasconcellos Coelho/MG (falecido)

• 1986 a 1987 - Habib Fraiha Neto/PA

• 1988 a 1989 - Luis Rey/RJ

• 1990 a 1991 - Pedro Paulo Chieffi/SP

• 1992 a 1993 - Luiz Cândido Souza Dias/SP

• 1994 a 1995 - Nicolau Maués Serra Freire/RJ

• 1995 a 1997 - Dulcinéa Maria Barbosa Campos/GO

• 1998 a 1999 - Edward Felix da Silva/MG

• 2000 a 2001 - Benjamin Cimerman/SP

• 2002 a 2003 - Mauro Célio de Almeida Marzochi/RJ

• 2004 a 2005 - Carlos Graeff Teixeira/RS

• 2006 a 2007 - Carlos Graeff Teixeira/RS

• 2008 a 2009 - Naftale Katz/MG




O apoio da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, fundada em 1963 em Ribeirão Preto (SP), foi de fundamental importância para a consolidação da Sociedade Brasileira de Parasitologia. De fato, anualmente de 1976 a 1978, os congressos de ambas as sociedades foram realizados na mesma data e local, sob a mesma presidência. Em razão dos problemas anteriores, a SBP achou que seria melhor que assim o fosse.

Em 1979, foi realizado o IV Congresso da SBP, sob a presidência do prof. Paulo de Toledo Artigas, realizado em Campinas (SP). Na sua apresentação no livro de resumos dos trabalhos, o presidente escreveu um parágrafo muito esclarecedor que transcrevemos na íntegra: “[...] embora sejam comuns às duas Sociedades (Sociedade Brasileira de Parasitologia e Sociedade Brasileira de Medicina Tropical) os assuntos que se relacionam com a saúde do homem, a SBP não procurou nem foi procurada pelos veterinários que estudam a parasitologia em animais. Acresce ainda que com a criação de cursos de Biologia e de Ecologia é cada vez maior o número de universitários que procuram especializar-se no campo da Parasitologia e investigando setores que não atraem o médico e o veterinário”.

Os Congressos da SBP foram realizados anualmente até o 8º Congresso e, a partir daí, bianualmente.


Quadro II. Relação dos Congressos realizados pela Sociedade Brasileira de Parasitologia (1976 a 2009)

1º Congresso (junto com XII da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical - SBMT)
Local: Belém – Pará – 15 a 19/02/1976
Presidente: Habib Fraiha Neto

2º Congresso (junto com XIII da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical - SBMT)
Local: Brasília – Distrito Federal – 27/02 – 03/03/1977
Presidente: Aluizio Rosa Prata
3º Congresso (junto com o XIV da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical - SBMT)
Local: João Pessoa – Paraíba - 1978
Presidente: Marco Aurélio Barros
4º Congresso
Local: Campinas – São Paulo – 01 a 4/02 /1979
Presidente: Paulo de Toledo Artigas
5º Congresso
Local: Rio de Janeiro, Rio de Janeiro - 26 a 29/02/1980
Presidente: W. Lobato Paraense
6º Congresso
Local: Belo Horizonte – Minas Gerais – 15 a 18/02/1981
Presidente: Marcello Vasconcelos Coelho
7º Congresso
Local: Porto Alegre – Rio Grande do Sul – 31/01 a 04/02/1982
Presidente: Oscar Miranda Fróes
8º Congresso
Local: São Paulo – São Paulo – 04 a 08/09/1983
Presidente: Rubens Campos
9º Congresso
Local: Fortaleza – Ceará – 30/07 a 02/08/1985
Presidente: Joaquim Eduardo de Alencar
10º Congresso
Local: Salvador – Bahia – 02 a 08/06/1987
Presidente: Geraldo Leite
11º Congresso
Local: Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – 30/07 a 03/08/1989
Presidente: Luis Rey
12º Congresso
Local: São Paulo – São Paulo – 01 a 10/08/1991
Presidente: Pedro Paulo Chieffi
13º congresso
Local: Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – 02 a 06/08/1993
Presidente: Nicolau Maués Serra Freire
14º Congresso
Local: Goiânia – Goiás – 01 a 04/08/1995
Presidente: Dulcinéa Maria Barbosa Campos
15º Congresso
Local: Salvador – Bahia – 26 a 30/10/1997
Presidente: Mitermayer Galvão dos Reis
16º Congresso
Local: Poços de Caldas – Minas Gerais – 02 a 05/11/1999
Presidente: Edward Felix Silva
17º Congresso
Local: São Paulo – São Paulo – 07 a 11/10/2001
Presidente: Benjamin Cimerman
18º Congresso
Local: Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – 25 a 29/08/2003
Presidente: Luis Rey
19º Congresso
Local: Porto Alegre – Rio Grande do Sul – 31/10 a 04/11/2005
Presidente: Carlos Graeff Teixeira
20º Congresso
Local: Recife – Pernambuco – 28/10 a 01/11/2007
Presidente: Silvana Ferreira
21º Congresso
Local: Foz do Iguaçu – Paraná – 24 a 28/10/2009
Presidente: Vanete Thomaz Soccol



logo A logomarca da SBP foi criada pelo sócio parasitologista e numismata Habib Fraiha Neto e tem como representação um casal de verme adulto do Schistosoma mansoni, um barbeiro, um tripanosoma e uma leishmania, representando três endemias parasitárias cuja descoberta teve excepcional participação de três médicos e cientistas brasileiros: Pirajá da Silva, Carlos Chagas e Gaspar Vianna (Figura 1). As três divisões representam os três setores em que se divide a parasitologia clássica: helmintologia, entomologia e protozoologia, sempre segundo a concepção de Fraiha Neto. O Dr. Fraiha Neto tem a maior e melhor coleção de medalhas da área de saúde no Brasil.

Durante o XVIII Congresso da SBP, realizado no Rio de Janeiro em agosto de 2003, a assembléia geral dos sócios, que sempre se realiza no penúltimo dia das atividades, aprovou por unanimidade que a Revista de Patologia Tropical passasse a ser o órgão oficial da SBP. Esta Revista vem sendo publicada desde 1972 pelo Instituto de Patologia Tropical da Universidade Federal de Goiás localizado em Goiânia. O primeiro número, com a característica de ser o órgão oficial da SBP para trabalhos científicos, notícias e resumo de teses, foi publicado no primeiro fascículo de 2004 e as edições continuam até hoje. Esta revista tem publicação trimestral e encontra-se sob a competente e dedicada editoria do colega e sócio Alejandro Luquetti. O Editorial que acompanhou o primeiro número da revista como órgão oficial da SBP pode ser visto abaixo.

Editorial


A SBP é afiliada à World Federation of Parasitologists (WFP), à Federación Latinoamericana de Parasitologia (FLAP) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). A eleição para a presidência da SBP, que se realiza a cada dois anos por votação secreta durante a Assembléia Geral, também escolhe os colegas que representarão a nossa Sociedade nestas duas outras internacionais. Esta participação é muito importante porque a representação oficial da SBP nesses organismos internacionais lhe permite colaborar e indicar as temáticas que serão discutidas durante os congressos. Atualmente o presidente da SBP é o 2º Vice-Presidente da WFP, tendo sido eleito no último Congresso em Glasgow, Escócia. Também, em 2001, foi realizado o Congresso da FLAP em conjunto com o Congresso Brasileiro de Parasitologia, em São Paulo, sob a coordenação do nosso colega paulista Benjamin Cimerman, que ocupou a presidência de ambas as sociedades.

A SBP conta com mais de 1.000 sócios e, nos congressos, usualmente estão presentes cerca de 2.000 participantes.

Em 2009, realizaremos o XXI Congresso Brasileiro da SBP, sob a presidência da profa. Vanete Soccol em Foz do Iguaçu no Paraná. Esta sociedade, além dos congressos regulares que vêm sendo mantidos desde 1975, tem representações regionais em vários estados da federação e forte participação nas representações nos níveis municipal, estadual e federal na área da pesquisa e nos serviços de saúde, educação e formação de pessoal especializado. Neste sentido, tem sido clara e crescente a colaboração dos sócios no aprimoramento dos serviços de saúde e educação, visando ao bem-estar do povo brasileiro.


Jul.-Set. 2009

Naftale Katz
Presidente da Sociedade Brasileira de Parasitologia e 2º Vice-Presidente da World Federation of Parasitologists.